Metade dos sapos-cururus de Fernando de Noronha apresenta deformidades, aponta estudo da Unicamp
- ICMBio Noronha
- 24 de mar.
- 2 min de leitura
Uma das hipóteses investigadas é a possível relação entre as alterações físicas e a contaminação por metais pesados
Fotos: Débora Augusti

Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, revelou um dado preocupante sobre a fauna de Fernando de Noronha: cerca de 50% dos sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha apresentam algum tipo de deformidade física.
A pesquisa, realizada de forma contínua desde 2009, pelo professor universitário Felipe Toledo, aponta uma taxa de anomalias muito acima da média registrada em ambientes continentais. De acordo com a bióloga e doutoranda Mariana Carvalho, o índice considerado “normal” gira em torno de até 10%.
“Esse é um dado histórico. Ele vem sendo coletado desde 2009 e ultrapassa a média mundial observada no continente. Em Noronha, as principais deformidades estão nos dedos das patas e nos olhos”, explica a pesquisadora. Segundo ela, uma das hipóteses investigadas é a possível relação entre as alterações físicas e a contaminação por metais pesados presentes no ambiente.
A pesquisa de campo mais recente ocorreu entre 25 de fevereiro e 25 de março de 2026, com a participação também da doutora Camila Moser. Durante esse período, foram realizadas coletas em oito pontos distintos do arquipélago, incluindo amostras de água, sedimentos, além de sangue e tecidos (fígado e rim) dos animais analisados.

Espécie exótica invasora e impactos ecológicos
No arquipélago de Fernando de Noronha, não há anfíbios nativos. O sapo-cururu é uma espécie exótica invasora, introduzida há mais de um século com o objetivo de controlar pragas. Ao longo do tempo, no entanto, sua presença passou a representar um desequilíbrio ecológico, principalmente pela ausência de predadores naturais.
Apesar de ter como base da alimentação os invertebrados (como insetos e moscas), o sapo-cururu também predam espécies nativas. “Estamos analisando o impacto da predação sobre a fauna local, tanto de invertebrados quanto de vertebrados. O sapo-cururu também se alimenta de mabuyas e caranguejos”, destaca Camila Moser.
A pesquisa segue em andamento e deve contribuir para o entendimento dos impactos ambientais, além de subsidiar estratégias de manejo e conservação da biodiversidade em ilhas oceânicas.
Fotos: Camila Moser e Débora Augusti
Por Giselle Vasconcelos - Comunicação ICMBio












