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II Semana do Peixe-leão amplia debate sobre controle da espécie invasora no Brasil

  • Foto do escritor: ICMBio Noronha
    ICMBio Noronha
  • 18 de mai.
  • 6 min de leitura

Evento promovido pelo ICMBio - Noronha discutirá estratégias de controle, monitoramento e conservação marinha diante do avanço da espécie invasora no Brasil



Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha
Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha

Com o objetivo de fortalecer as pesquisas, ampliar o debate e integrar ações de manejo do peixe-leão no Brasil, especialmente em Fernando de Noronha, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio\NGI Noronha)  em Fernando de Noronha realizará a II Semana do Peixe-leão, entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, no arquipélago.


A iniciativa busca aproximar ciência, gestão ambiental e participação social, reforçando a importância da atuação conjunta para a conservação dos ecossistemas marinhos brasileiros diante do avanço do peixe-leão (Pterois volitans) desde os primeiros registros da espécie invasora no país. A programação reunirá pesquisadores, especialistas, instituições parceiras, mergulhadores e comunidade local em atividades voltadas ao monitoramento, manejo e controle da espécie, considerada uma das principais ameaças à biodiversidade marinha.


Para a diretora do ICMBio\NGI Noronha, Lilian Hangae, a segunda edição da Semana do Peixe-leão representa um espaço estratégico de troca de experiências e construção coletiva de soluções para o Brasil, mas especialmente para Noronha. “Como somos protagonistas no manejo aqui no Brasil, a ideia é trocar experiências, trazer o conhecimento gerado por outras instituições e pensar juntos nos nossos desafios”, destacou. 


Segundo ela, um dos principais debates desta edição será a inclusão do consumo do peixe-leão no ciclo de manejo, estratégia já utilizada internacionalmente e considerada uma das formas mais eficientes de controle da espécie invasora. “Hoje já temos muitos espécimes capturados e dificuldade em armazenar. As estratégias internacionais mostram que o manejo é mais efetivo quando envolve o consumo”, explicou. A gestora ressaltou ainda que pesquisas apontam a viabilidade do consumo da espécie, já apreciada em países como a Costa Rica. “É um peixe muito apreciado, de filé branco e sabor leve, com potencial de alto valor agregado para Noronha, que pode servir de resultado de um manejo responsável”, afirmou.


Ela também destacou que os resultados alcançados no arquipélago estão diretamente ligados à parceria com a empresa de mergulho Sea Paradise, que vem atuando com operações específicas para o manejo do peixe-leão. “O alto custo envolvido, a técnica e a dedicação desses profissionais têm feito toda a diferença no manejo aqui em Noronha”, ressaltou. 


Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha
Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha

Para o coordenador da área de Pesquisa do ICMBio\NGI Noronha, Ricardo Araújo, a segunda edição da Semana do Peixe-leão marca também um momento importante de avaliação e avanço das estratégias adotadas desde o primeiro encontro, realizado há dois anos, em 2024. “A ideia agora é agregar mais informações sobre o que está acontecendo em diferentes regiões e construir um plano de ação mais efetivo, avaliando o que foi feito nesses dois anos e identificando os avanços que ainda precisamos alcançar”, afirmou.


Segundo Lucas Penna, agente ambiental do ICMBio e um dos organizadores do evento, a Semana também busca ampliar o envolvimento da comunidade no enfrentamento à espécie invasora. “Além das discussões científicas e técnicas, o evento busca aproximar a população desse debate e fortalecer a importância das ações de manejo pela comunidade”, destacou.


Durante a programação, também serão apresentados os principais resultados do projeto de manejo desenvolvido pelo ICMBio em Fernando de Noronha desde 2020, incluindo dados de monitoramento, efetividade das ações de controle e respostas observadas no arquipélago ao longo dos últimos anos.


O Peixe-Leão

Identificado pela primeira vez no Brasil em 2014, o peixe-leão, espécie originária dos oceanos Índico e Pacífico, vem se espalhando rapidamente pelo litoral brasileiro devido à sua alta capacidade de reprodução e adaptação. Em Fernando de Noronha, o primeiro registro oficial ocorreu em 2020 e, desde então, mais de 3.000 indivíduos já foram removidos do arquipélago.


Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha
Foto: Acervo ICMBio - NGI Noronha

Considerado uma grave ameaça à biodiversidade marinha, o peixe-leão não encontra predadores naturais na costa brasileira e possui comportamento altamente predador, podendo consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos, o que provoca impactos significativos sobre as populações de espécies nativas e o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.


O avanço da espécie em Noronha tem mobilizado pesquisadores, instituições e equipes de mergulho em ações permanentes de monitoramento e manejo. Em uma operação realizada no primeiro trimestre de 2025, mais de 60 peixes-leão foram capturados durante um único mergulho no arquipélago. No mesmo período, um indivíduo capturado alcançou um dos maiores tamanhos já registrado no mundo, aproximando dos registros anteriores documentados na Venezuela, com 45,7 cm, e nos Estados Unidos, com 47,4 cm. A captura foi realizada pela empresa Sea Paradise, parceira do ICMBio Noronha.


II Semana Peixe-Leão

A II Semana do Peixe-leão contará com uma programação voltada ao intercâmbio de conhecimentos, fortalecimento das estratégias de monitoramento e ampliação das ações de controle da espécie invasora. Ao longo da semana, pesquisadores, instituições, mergulhadores, pescadores, estudantes e comunidade local participarão de palestras técnico-científicas, oficinas, cursos de capacitação e atividades práticas de manejo.


1º Dia | Capacitação e integração para o manejo do peixe-leão

As atividades da II Semana do Peixe-leão terão início na segunda-feira, 18 de maio, com a chegada dos convidados e uma capacitação teórica sobre o peixe-leão, promovida pela equipe do ICMBio - Noronha, no Auditório do Centro de Visitantes, na Vila do Boldró. A atividade será aberta ao público e voltada, principalmente, aos staffs das operadoras de mergulho e operadores de turismo, com foco na identificação, prevenção e manejo da espécie invasora no arquipélago.


2º Dia | Ciência, monitoramento e estratégias de controle

Na terça-feira, 19 de maio, será realizada a abertura oficial do evento, seguida pelo primeiro ciclo de palestras técnico-científicas. A programação contará com apresentações de Ricardo Araújo e Lucas Penna, do ICMBio - Noronha, que irão abordar o projeto de manejo e controle populacional do peixe-leão nas unidades de conservação do arquipélago.


O dia também terá palestras de Luciana Crema e Jamille Rabelo, do ICMBio/CMEEI, sobre prevenção, detecção precoce e resposta rápida à invasão da espécie. A programação seguirá com debates e apresentações conduzidos por Clara Buck, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fernando Rodrigues, da Sea Paradise, Pedro Pereira, do Projeto Conservação Recifal, e Claudio Sampaio, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Os pesquisadores irão discutir estratégias espaciais de manejo, experiências práticas de controle e os impactos ecológicos provocados pelo peixe-leão nos ambientes recifais brasileiros.


3º Dia | Estratégias nacionais, pesquisa e enfrentamento da invasão

Já na quarta-feira, 20 de maio, os debates serão voltados às estratégias nacionais de enfrentamento às espécies exóticas invasoras, às normas aplicáveis ao manejo de peixes marinhos invasores, ao planejamento espacial marinho e às experiências de monitoramento e controle desenvolvidas em diferentes estados do Brasil.


Entre os palestrantes confirmados estão Ana Lacerda, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Daniel Galvão, do IBAMA, Marcelo Nóbrega e Hugo Cassiano, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcelo Soares e Maria Luiza Gallina, da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de Danise Alves, da Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, e Patrícia Tavares, da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH).


A programação também incluirá discussões sobre segurança alimentar, potencial nutricional do peixe-leão e o papel da ciência no enfrentamento da invasão da espécie no Brasil, além de uma oficina de encaminhamentos voltada à construção de estratégias integradas de manejo e conservação marinha.


4º Dia | Capacitação prática e mobilização da comunidade

Na quinta-feira, 21 de maio, será realizado um curso prático de capacitação na Praia do Porto, conduzido pela equipe do ICMBio - Noronha em parceria com a Sea Paradise. A programação também inclui uma saída conjunta para mergulho autônomo, voltada aos convidados do evento, além de uma capacitação direcionada aos pescadores e moradores da ilha, fortalecendo a participação comunitária nas ações de manejo e controle do peixe-leão.


5º Dia | Educação ambiental e conservação marinha

Encerrando a programação, na sexta-feira, 22 de maio, haverá uma nova saída conjunta para mergulho autônomo e atividades voltadas à educação ambiental, com capacitações destinadas a moradores, estudantes, gestores e demais interessados. As ações irão promover o diálogo sobre conservação marinha, sensibilização ambiental e a importância do envolvimento coletivo na proteção dos ecossistemas de Fernando de Noronha.


Para acessar a programação completa, clique aqui.


O ICMBio Noronha convida moradores, instituições e demais interessados a participarem da programação da II Semana do Peixe-leão e contribuírem com essa mobilização voltada à conservação dos ecossistemas marinhos do arquipélago e ao fortalecimento das ações de manejo da espécie invasora.

O evento é realizado pelo ICMBio/NGI Noronha, com apoio da Associação Noronhense das Empresas de Mergulho Autônomo (ANEMA), Atalaia Noronha, Restaurante Xica da Silva, Sea Paradise, Projeto Conservação Recifal e Econoronha.





Por João Alves | ICMBio Noronha






 
 
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