ICMBio realiza Oficina de Manejo para Controle Populacional de Gatos em Fernando de Noronha

 

 

 

 

     O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, através do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e da Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha - Rocas - São Pedro e São Paulo, juntamente da Administração de Noronha e outros importantes parceiros, reuniu durante os dias 16 e 17 de agosto de 2018 um grupo de pesquisadores e técnicos de diversas áreas para construir, de forma participativa, o Plano de Ação para o Controle de Gatos no arquipélago de Fernando de Noronha.
 

 (Foto: Patrícia Lindoso / ICMBio)

A ilha abriga uma biodiversidade singular no Oceano Atlântico tropical e em nenhum outro lugar do mundo existem algumas das espécies encontradas aqui. A beleza cênica do arquipélago atrai turistas e visitantes do mundo inteiro. Em 2001, Fernando de Noronha, juntamente do Atol das Rocas, foi reconhecido e tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade, pela sua importância para a proteção da biodiversidade e de espécies ameaçadas, especialmente por abrigar a maior concentração de colônias de aves marinhas do oeste do Oceano Atlântico. Entretanto, como qualquer ambiente insular, Noronha é um ecossistema muito sensível e vulnerável ao desequilíbrio se ocupado de forma desordenada e atualmente essa estabilidade encontra-se sob diversas ameaças. Dentre elas, os gatos domésticos, introduzidos para servir como animais de estimação e também para eliminar ratos no entorno das residências, tem se tornado um grave problema para o equilíbrio do ecossistema e para a saúde pública.

A falta de controle, associada ao instinto de independência desses felinos, à sua alta capacidade reprodutiva e à grande oferta de recursos, possibilita a esses animais o abandono das residências em busca da condição selvagem, predando espécies nativas e rompendo as ligações naturais de um ecossistema único, além de transmitir doenças para humanos e outros animais, como a toxoplasmose.O impacto de gatos domésticos sobre as aves marinhas em ilhas é um problema de proporções globais e tem sido exaustivamente reportado. Se o manejo desses animais não for feito de maneira efetiva, Fernando de Noronha será o exemplo mais recente de desastre ecológico e extinção de espécies em ilhas diretamente causados por gatos, como historicamente já ocorreu em outras 120 ilhas ao redor do mundo. O embasamento legal e o conhecimento técnico necessário para agir já existem, mas toda a sociedade precisa se organizar e envolver a comunidade local para que esse plano seja bem-sucedido.

 

 (Foto: Patrícia Lindoso / Voluntariado ICMBio Noronha)

“A oficina representou a consolidação de um trabalho que já vem sendo realizado há anos, e o planejamento acordado entre os participantes vai nortear as ações do ICMBio e parceiros daqui para frente. Ter as estratégias alinhadas aumenta nossa chance de sucesso para mitigar esta que é sem dúvida uma das principais ameaças à biodiversidade de Fernando de Noronha.” afirma Thayná Mello, analista ambiental do ICMBio Noronha.


 

(Fotos: Patrícia Lindoso / Voluntariado ICMBio) 


Visando o controle desta espécie exótica invasora com ações tangíveis e pragmáticas que reflitam resultados concretos e com compromissos estabelecidos para minimizar o problema no período de cinco anos, a oficina contou com a moderação da servidora Patricia Serafini, do CEMAVE, teve a presença do Ministério do Meio Ambiente, dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, da Agência de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), Vigilância de Saúde Animal e Sanitária do arquipélago, Administração local, Secretaria de Saúde de PE, pesquisadores da Tríade, UFRGS, UFRPE, técnicos do ICMBio Noronha, CEMAVE, CECAT, RAN, CR6 e DIBIO. O encontro buscou sensibilizar, pactuar ações e responsabilidades com relação as ações necessárias de manejo com os felinos para minimizar seu impacto no ambiente e na saúde pública local. Um dos desafios que se coloca são os processos de comunicação e educação que a estratégia demandará das equipes técnicas para o diálogo com a sociedade local e nacional.

 

(Fotos: Patrícia Lindoso / Voluntariado ICMBio Noronha)
 
“Como se trata de um problema grave em grande parte das ilhas oceânicas no mundo, estamos buscando consolidar uma agenda robusta de pesquisa e manejo de espécies exóticas em Fernando de Noronha. Nesse sentido, controlar a população de gatos é um passo essencial pelo seu potencial de extinção de outras espécies. No entanto, o ICMBio não conseguirá sozinho enfrentar este desafio. A presença de todos esses atores que compreendem o problema e a necessidade de agirmos é muito importante para a conservação da biodiversidade local” - afirma Felipe Mendonça, gestor do ICMBio Noronha.

Além dos parceiros já identificados, a oficina contou com o apoio financeiro do Programa GEF Mar. 

 

 

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