Captura noturna de isca viva para a pesca artesanal

 

 

    A atividade pesqueira em Fernando de Noronha faz parte da cultura e tradição da comunidade desde o início da ocupação humana no arquipélago. A linha de mão é o apetrecho mais utilizado e os pescadores tem preferência pela isca viva, tornando a captura da mesma uma importante atividade para pesca artesanal, consumo e pesca esportiva. A pesca nas áreas do Parque Nacional Marinho é proibida e por vezes a sardinha se encontra apenas nestas. Buscando alternativas para auxiliar a captura nas áreas permitidas da APA, o ICMBio em parceria com o Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), estão investindo recursos para testes com redes e atrativos luminosos. -“Entendemos que o ICMBio propôs uma nova atitude para enfrentar o conflito da pesca da sardinha, buscando oferecer apoio aos pescadores para melhorar toda a cadeia produtiva da pesca e buscar novas alternativas para a captura da sardinha.” Afirma Felipe Mendonça.

    Foram realizadas saídas embarcadas nos dias 21 de setembro e 18 de outubro nas proximidades do porto de Santo Antônio, para testes com rede de pesca e puçá com atrativo luminoso, nos barcos “Mar aberto” e “Tarrafa”. A equipe foi composta por cinco pescadores locais, são eles: Seu Orlando, Dinho, Quebra Pedra, Ricardinho e Wellington; o Professor Paulo Travassos (Laboratório de Ecologia Marinha, Departamento de Pesca e Aquicultura, UFRPE), Felipe Mendonça (Gestor do NGI Noronha), Júlio Rosa (ICMBio Noronha) e Isabela Zignani (Voluntária da área temática Socioambiental do PARNAMAR-FN).

    A rede levadiça com atrativo luminoso obteve bons resultados na captura de sardinha, porém ainda necessita de adequações. Já o puçá não obteve sucesso, pois as sardinhas ficaram emaranhadas na malha, o que ocasionou a morte delas. “Eu acredito que a pesca com rede levadiça e atração luminosa para captura de isca é uma alternativa tecnicamente viável. Os testes que nós desenvolvemos no arquipélago de Fernando de Noronha mostraram resultados positivos e neste sentido repito acredito ser um método viável que pode auxiliar na diminuição do problema da dependência da isca viva para pesca da sardinha pelos pescadores artesanais locais.” Avaliou o Professor Paulo Travassos.

    Para finalizar esta etapa, no dia 20 de outubro ocorreu uma oficina com os pescadores participantes para, em conjunto, avaliar a atividade teste, alinhar ajustes necessários e as possibilidades de colocar em prática a pesca da sardinha no período noturno. “O apoio do ICMBio tem sido fundamental neste processo tanto do ponto de vista financeiro quanto nas discussões com os pescadores na busca de soluções viáveis sobre os aspectos social, econômico e ambiental.” Aponta Paulo Travassos.

    Visando a sustentabilidade da atividade pesqueira regional e a valorização do pescador artesanal, serão realizados novos testes com as metodologias propostas e ainda com outras alternativas. “É necessário um maior engajamento dos pescadores no uso desta tecnologia e na busca de alternativas capazes de minimizar este problema. Este é o desafio que enfrentamos hoje para difundi-la no âmbito da pesca artesanal local.” Complementa Paulo Travassos. “O ICMBio se coloca como um parceiro para estar junto aos pescadores e apoiar suas atividades.” finalizou Felipe Mendonça.

 

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